Curso de Letras tem defesa de TCC de primeira aluna trans feminina
Por Setor de Comunicação Institucional
06/01/2026
No último dia 10 de dezembro já no finzinho do ano letivo o curso de Licenciatura em Letras da Universidade do Estado de Mato Grosso, Câmpus de Sinop registrou um momento marcante. O fato em questão foi a defesa do TCC de Victória de Queiroz Santos intitulada “A evolução do português brasileiro na fala de jovens portugueses: variação e preconceito linguístico”. A defesa ocorreu por meio da plataforma google meet.
A pesquisa desenvolvida por Victória esteve sob orientação da professora Neusa Inês Philippsen que presidiu a banca examinadora composta também pelos professores Joelinton Fernando de Freitas e Flávio Penteado de Souza. A professora da disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II Irene Carillo Romero Beber também acompanhou a sessão.
O momento foi celebrado no curso por se tratar além da vitória pessoal de mais uma acadêmica que chega ao final de sua trajetória formativa na graduação, mas também por ser a primeira acadêmica trans feminina a concluir o curso. Nas palavras da acadêmica: “O curso de Letras foi muito mais do que uma realização profissional: moldou-me enquanto ser humano crítico, com impacto real na minha forma de ver o mundo. A Linguística, em especial, foi determinante nesse processo, pois conduziu-me à pesquisa que desenvolvi ao longo da graduação. Ao longo do percurso acadêmico, entre idas e vindas, compreendi-me enquanto uma identidade trans feminina, o que tornou essa trajetória ainda mais desafiadora, especialmente no âmbito pessoal”, relatou.
A acadêmica nos relatou que sua pesquisa tomou corpo a partir da experiência pandêmica: “retornei à universidade com o objetivo de concluir minha pesquisa, na qual investiguei a manifestação do português brasileiro na fala de jovens portugueses, à luz da sociolinguística variacionista. O tema emergiu no período pós-pandêmico da COVID-19 (2019), momento marcado por intensas transformações sociais e linguísticas. Durante esse processo, foi necessário enfrentar os desafios da escrita acadêmica, bem como os conflitos internos próprios do início da transição de gênero. Ainda assim, ao final, tudo deu certo. Contei com o apoio integral da instituição e com minhas próprias motivações, que foram fundamentais para a conclusão do trabalho.
Victória nos relatou que: “Apesar de ter sido a primeira pessoa trans em processo final de conclusão da graduação, a universidade sempre se mostrou receptiva e disposta a se adaptar a essa nova realidade. Hoje, enquanto ex-acadêmica, sinto-me realizada e feliz por essa conquista pessoal e por ter tido a oportunidade de defender minha pesquisa”.
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